Um grupo de especialistas em exorcismo fez um alerta ao papa Leão XIV sobre a escassez de padres preparados para atuar em casos considerados extremos dentro da Igreja Católica.
Representantes da Associação Internacional de Exorcistas participaram de uma reunião privada no Vaticano, onde apresentaram um relatório destacando a necessidade urgente de ampliar o número de exorcistas em todo o mundo. Segundo a entidade, o ideal seria que cada diocese contasse com ao menos um sacerdote capacitado para essa função.
De acordo com o documento, o aumento da procura por esse tipo de atendimento estaria relacionado à expansão de práticas como o satanismo e o ocultismo, impulsionadas, principalmente, pelas redes sociais. A associação afirma ainda que há um crescimento de pessoas afetadas pelo que classifica como “ação extraordinária do demônio”, especialmente entre aquelas que tiveram envolvimento com seitas ou rituais ocultistas.
O vice-presidente da entidade, Francesco Bamonte, afirmou que existe atualmente um déficit estimado de cerca de 2 mil exorcistas no mundo. Como solução, o grupo propõe a inclusão de formação obrigatória sobre o tema nos seminários, além de treinamentos específicos para bispos e novos padres.

Imagem: Associação Internacional de Exorcistas (AIE)
Apesar da repercussão do tema em filmes e produções culturais, como O Exorcismo do Papa, a prática do exorcismo na Igreja Católica é considerada rara e cercada de rigorosos critérios. Antes de qualquer procedimento, são realizadas investigações detalhadas, muitas vezes com apoio de profissionais da área da saúde, para descartar causas psicológicas ou médicas.
O rito oficial só pode ser conduzido por sacerdotes autorizados por seus bispos e devidamente preparados, seguindo normas específicas da Igreja. Um dos nomes mais conhecidos na área foi o padre Gabriele Amorth, que presidiu a AIE e relatou ter realizado milhares de atendimentos ao longo de sua vida.
Durante o encontro, os representantes da associação destacaram que a falta de profissionais pode deixar fiéis sem assistência adequada em situações de sofrimento espiritual, o que pode levá-los a buscar soluções fora da Igreja.
Em resposta, o papa Leão XIV reconheceu a importância do trabalho dos exorcistas, classificando-o como uma missão delicada, porém necessária. Ele também orientou que o ministério seja exercido com responsabilidade, oração e acompanhamento espiritual, reforçando o papel da Igreja no acolhimento e cuidado dos fiéis.















