Uma cena incomum chamou a atenção de quem passava pelo cruzamento da Avenida Costa e Silva com a Avenida Fábio Zahran, em Campo Grande, na manhã deste sábado (10). Enrolada em fitas adesivas e absorventes, uma mulher segurava uma faixa com a frase: “Não queremos morrer”, em um protesto silencioso e impactante.
A manifestante é Jucelia Duarte, de 45 anos, que decidiu realizar o ato sozinha como forma de denunciar o que ela chama de “sofrimento invisível da população”. A motivação surgiu na sexta-feira (9), após visitar a Santa Casa e encontrar funcionários em manifestação por atraso de salários. Indignada, ela preparou o protesto e chegou ao local por volta das 5h50.
Um dos focos centrais do ato é o combate ao feminicídio. Jucelia relata que já foi vítima de tentativa de feminicídio. Após denunciar o ex-companheiro na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), ele retornou no dia seguinte armado com uma faca e tentou matá-la por enforcamento. Hoje, ela possui medida protetiva contra o agressor.
A manifestação também simboliza, segundo Jucelia, o sofrimento das mulheres. “O absorvente representa o sangramento que vivemos todos os dias, não só no corpo, mas na vida. Campo Grande está sangrando”, afirmou.
O protesto ganhou apoio de motoristas e pedestres, que buzinaram e gritaram palavras de incentivo. Além do feminicídio, Jucelia destacou a crise na Santa Casa, a greve do transporte coletivo e a luta das mães atípicas, grupo que ela apoia voluntariamente há 17 anos.
“Tem gente com fratura exposta e crianças em convulsão sem atendimento. Campo Grande está em caos. Eu estou aqui por quem não pode gritar”, declarou.
A manifestação solitária transformou-se em um forte símbolo de dor, resistência e pedido por dignidade.















