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Fiscalização do Ministério da Saúde gera reação imediata e mais ambulâncias do Samu voltam às ruas

Ambulâncias do Samu 192 (Foto: Bruno Cassiano/MS)

A visita de supervisores do Ministério da Saúde à saúde pública municipal de Campo Grande, realizada nesta semana, teve como foco a estrutura e o funcionamento do Samu 192 (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). A presença dos fiscais, no entanto, provocou uma mudança repentina na rotina do serviço, descrita por servidores como um “milagre temporário”.

Segundo relatos de trabalhadores do Samu, o efeito da fiscalização foi imediato, com um aumento súbito no número de viaturas em circulação. Internamente, a situação foi classificada como uma “operação maquiagem”, termo usado para definir ações emergenciais adotadas apenas durante inspeções oficiais.

De acordo com um servidor, que pediu anonimato por medo de retaliações, a orientação da coordenação foi clara: nenhuma ambulância poderia permanecer parada durante o período de fiscalização. Mesmo veículos que, no dia a dia, apresentam falhas mecânicas, limitações operacionais ou simplesmente não costumam rodar, foram colocados em serviço.

Ainda conforme as denúncias, a ordem foi para manter todas as viaturas nas ruas “custe o que custar”, com o objetivo de demonstrar um funcionamento pleno do Samu aos representantes do Ministério da Saúde, independentemente das reais condições dos veículos.

Anúncio oficial reforça imagem positiva

Paralelamente às diligências federais, a Prefeitura de Campo Grande também intensificou sua comunicação institucional. No mesmo dia da fiscalização, foi divulgado material oficial com o título “Samu passa a operar com novo conjunto de ambulâncias”.

No texto, a administração municipal informa que novas viaturas foram incorporadas ao serviço e já estariam em circulação, reforçando o atendimento às ocorrências de urgência e emergência. A publicação não faz menção ao fato de que a ampliação da frota coincidiu com a fiscalização do Ministério da Saúde.

Segundo a prefeitura, o Samu opera com ambulâncias distribuídas em diferentes regiões da cidade, além de uma unidade em Anhanduí e uma equipe de motolância. A gestão afirma ainda que a ativação das viaturas segue critérios técnicos e operacionais definidos pelo próprio Ministério da Saúde.

A versão oficial aponta que, das seis ambulâncias recebidas, cinco teriam sido utilizadas para renovação da frota já existente, enquanto uma passou a integrar a Base Centro, ampliando o número de equipes em operação.

Clima de desconfiança entre servidores

Nos bastidores, porém, o sentimento entre os trabalhadores é de apreensão. Para eles, a dúvida que permanece é por quanto tempo esse cenário irá se manter após a saída dos fiscais federais.

“O que preocupa é saber se isso vai continuar ou se, depois que a fiscalização acabar, tudo volta ao normal, como sempre foi”, relatou outro servidor. Para os profissionais que atuam diariamente no Samu, a percepção é de que ações mais efetivas só acontecem quando há risco de desgaste da imagem da gestão.

O receio é que, passada a fiscalização, parte das ambulâncias volte a sair de circulação e o serviço retorne às dificuldades enfrentadas diariamente por quem depende do atendimento de urgência e emergência em Campo Grande.

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