Mesmo com a ampliação da área plantada, a produção de milho da segunda safra em Mato Grosso do Sul deve registrar uma queda expressiva no ciclo 2025/2026. A estimativa mais recente aponta retração de 21,6% no volume colhido em comparação com a safra anterior, que havia alcançado números históricos.
De acordo com dados do Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio (Siga MS), desenvolvido pela Aprosoja-MS, a produção projetada é de 11,139 milhões de toneladas, frente às 14,226 milhões de toneladas colhidas em 2024/2025. O principal fator para a redução está ligado à queda significativa da produtividade média das lavouras.
A área destinada ao milho safrinha deve atingir 2,206 milhões de hectares, crescimento de 3% em relação ao ciclo anterior. No entanto, o rendimento médio esperado é de 84,2 sacas por hectare, número 22,4% inferior ao registrado na última safra, quando a produtividade chegou a 108,42 sacas por hectare.
Segundo o assessor técnico da Aprosoja-MS, Flávio Aguena, a projeção segue critérios técnicos baseados no comportamento histórico das lavouras. Ele explica que a estimativa de área considera a média de expansão observada nas últimas cinco safras, enquanto a produtividade reflete um cálculo mais conservador, ancorado também na média do mesmo período.
Além da comparação com uma safra excepcional, o cenário climático tem pesado nas projeções. O plantio do milho avança em ritmo mais lento neste ciclo. Até o fim de janeiro, apenas 2% da área prevista havia sido semeada, índice 5,6 pontos percentuais abaixo do registrado no mesmo período da safra passada.
O atraso compromete a janela ideal de desenvolvimento da cultura e aumenta a exposição das lavouras à estiagem, comum a partir do mês de março, especialmente nas regiões sul e centro-sul do Estado.
Outro aspecto relevante é a mudança no perfil de uso das áreas agrícolas. O milho safrinha, que já ocupou cerca de 75% da área cultivada com soja em Mato Grosso do Sul, deve representar agora aproximadamente 46%. A redução reflete uma postura mais cautelosa dos produtores, que passaram a optar por culturas alternativas, como sorgo, milheto e pastagens, consideradas menos suscetíveis aos riscos climáticos.
Soja também perde força no cenário estadual
Embora o milho concentre as revisões mais negativas, a soja também já não sustenta o otimismo observado no início do ciclo. A projeção inicial para a safra 2025/2026 indica uma área de 4,794 milhões de hectares, produtividade média de 52,82 sacas por hectare e produção estimada em 15,195 milhões de toneladas.
Conforme explica Flávio Aguena, o cenário mudou de forma significativa a partir de janeiro. Após um período de boas chuvas no fim de 2025, principalmente no sul do Estado, a estiagem avançou de maneira intensa nas regiões centro e sul, com registros de mais de 20 dias consecutivos sem precipitações em algumas áreas.
A situação se agravou por coincidir com a fase reprodutiva da soja, etapa em que a cultura demanda maior volume hídrico para manter seu potencial produtivo. Diante disso, a Aprosoja-MS já descarta qualquer previsão de supersafra no Estado.
A entidade realiza levantamentos técnicos em campo para avaliar os impactos reais da seca. Após a análise de pelo menos 10% das áreas cultivadas, uma nova estimativa oficial deverá ser divulgada, refletindo com maior precisão os efeitos climáticos sobre a produção de soja em Mato Grosso do Sul.















