Mato Grosso do Sul vive um cenário preocupante em relação à capacidade de armazenagem de grãos na safra 2025/2026. Com produção estimada em 29,4 milhões de toneladas, o Estado possui estrutura para estocar apenas 14,2 milhões, o que representa um déficit de 15,2 milhões de toneladas. Na prática, isso significa que apenas 48,4% da produção consegue ser armazenada.
O problema não é exclusivo do Estado e reflete uma realidade nacional. No Brasil, a capacidade de armazenagem é de aproximadamente 218 milhões de toneladas, enquanto o déficit chega a 135,4 milhões, evidenciando um descompasso entre o crescimento da produção agrícola e a expansão da infraestrutura.
No ranking nacional, Mato Grosso do Sul ocupa a quarta posição entre os estados com maior déficit de armazenagem. À frente estão Mato Grosso, com 53,4 milhões de toneladas; a região do Matopiba, com 22,2 milhões; e Goiás, com 17,9 milhões.
De acordo com a assessora de Infraestrutura e Logística da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Elisangela Pereira Lopes, o levantamento é realizado anualmente com base em dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Segundo ela, o crescimento da produção tem superado a capacidade de ampliação dos armazéns.
A especialista explica que a limitação na armazenagem impacta diretamente o produtor rural, que muitas vezes é obrigado a escoar a produção imediatamente após a colheita, sem a possibilidade de aguardar melhores condições de mercado. Essa situação eleva os custos logísticos, especialmente em períodos de pico, como na safra da soja.
Como alternativa para reduzir o déficit, Elisangela destaca a necessidade de ampliar o acesso ao crédito rural. A medida permitiria que produtores investissem na construção de silos e estruturas próprias de armazenamento, aumentando a capacidade de estocagem e proporcionando maior autonomia na comercialização dos grãos.















