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Javalis provocam danos ambientais em Bonito e MPMS cobra providências

Locais degradados - Foto: Reprodução / Processo

A presença do javali-europeu (Sus scrofa) tem causado impactos ambientais em Bonito, especialmente nas áreas de nascentes do Rio Mimoso. Diante da situação, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou procedimento administrativo para apurar os danos e cobrar ações efetivas de controle da espécie invasora.

Segundo o órgão, estudos apontam que o javali provoca destruição de nascentes, degradação de Áreas de Preservação Permanente (APPs), predação de animais nativos, competição com espécies locais, disseminação de doenças e alterações na estrutura dos ecossistemas.

Relatório do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) confirmou a presença significativa dos animais em propriedades como Fazenda União e Fazenda Ouro Fino, além de registrar, por meio de imagens, os danos causados às nascentes e cursos d’água.

Conforme manifestação técnica do instituto, há comprometimento severo das nascentes do Rio Mimoso, com impacto no afloramento do lençol freático, supressão de vegetação nativa em APPs e perturbação do solo, afetando a recarga hídrica e a qualidade da água.

Risco à biodiversidade e ao turismo

Para a 2ª Promotoria de Justiça de Bonito, a proliferação descontrolada dos javalis representa risco imediato à biodiversidade, aos recursos hídricos e à sustentabilidade do turismo, atividade essencial para a economia local.

O procedimento é conduzido pelo promotor de Justiça Felipe Blos Orsi, que determinou o envio de ofícios a diversos órgãos para que informem quais medidas vêm sendo adotadas.

Órgãos acionados

Entre os pedidos encaminhados ao Imasul estão:

  • Detalhamento do Plano de Controle e Manejo do javali na região, com cronograma e recursos empregados;

  • Dados sobre estimativa populacional da espécie e áreas mais afetadas nos últimos cinco anos;

  • Relatórios sobre medidas emergenciais nas nascentes do Rio Mimoso;

  • Informações sobre fiscalizações realizadas nas propriedades citadas;

  • Plano de recuperação das APPs degradadas, com prazos e custos;

  • Cópia de estudos técnicos sobre controle da espécie e recuperação ambiental.

Também foram oficiados o Batalhão de Polícia Militar Ambiental de Mato Grosso do Sul, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Prefeitura e a Câmara Municipal de Bonito, além da Secretaria de Estado de Meio Ambiente.

O prazo para resposta é de 30 dias. O objetivo do MPMS é acompanhar as providências adotadas, assegurar a implementação de políticas públicas eficazes de controle da espécie invasora e garantir a recuperação das áreas ambientais afetadas.

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